Olhos Noturnos


Tristeza como chuva
27/09/2009, 00:59
Filed under: Poesia | Tags: , ,

Lament of the Frontier Guard

By the North Gate, the wind blows full of sand,
Lonely from the beginning of time until now!
Trees fall, the grass goes yellow with autumn.
I climb the towers and towers
to watch out the barbarous land:
Desolate castle, the sky, the wide desert.
There is no wall left to this village.
Bones white with a thousand frosts,
High heaps, covered with trees and grass;
Who brought this to pass?
Who has brought the flaming imperial anger?
Who has brought the army with drums and with kettle-drums?
Barbarous kings.
A gracious spring, turned to blood-ravenous autumn,
A turmoil of wars – men, spread over the middle kingdom,
Three hundred and sixty thousand,
And sorrow, sorrow like rain.
Sorrow to go, and sorrow, sorrow returning,
Desolate, desolate fields,
And no children of warfare upon them,
No longer the men for offence and defence.
Ah, how shall you know the dreary sorrow at the North Gate,
With Rihoku’s* name forgotten,
And we guardsmen fed to the tigers.

Por Rihaku, nome japonês do poeta chinês Li Bai (ou Li Pai, ou Li Po) da Dinastia Tang.

(*Rihoku, não confundir com Rihaku [Li Bai], é o nome japonês para Li Mu, general chinês que combateu os Tártaros)

Traduzido por Ezra Pound
(Ezra Pound: Poems and Translations, Library of America, 2003)

Ouça aqui, na voz de Alan Davis Drake: Lament of the Frontier Guard

Li Bai (701-762)

Conhecido como Poeta Imortal, Li Bai era famoso também pelo seu amor aos “espíritos” e, como outros “Imortais Bêbados” da conturbada Dinastia Tang, era visto neste estado com frequência.

Ressalte-se que tanto a fermentação, como processo natural, quanto a destilação, como processo (al)químico, necessárias à obtenção do espírito, assim como a embriaguês, enquanto desafio às convenções sociais, adequam-se aos princípios taoístas. São parte do “Caminho do Tao”.

Alguns historiadores apontam Li Bai como um dos fundadores do Boxe dos Oito Imortais Bêbados, um estilo de Kung Fu taoísta até o talo. A escola sobreviveu até nossos dias e foi popularizada em filmes de Jackie Chan. Uma introdução rápida está neste episódio da série Fight Science, do Discovery: Drunken Boxing.

Cerca de 1.100 poemas atribuídos a Li Bai sobreviveram até os dias atuais  e acredita-se que grande parte desta produção foi realizada sob efeito do álcool. Afirma-se que suas obras completas ultrapassam 9.000 poemas. É muito, eu sei. Mas lembro aqui que o Taoísmo era uma religião, e que os imortais eram deuses.

Estudiosos divergem quanto às causas de sua morte. Envenenamento por álcool ou por mercúrio, contido em elixires taoístas de longevidade. A lenda conta que Li Bai passeava à noite embriagado pelo Rio Yangzi, caiu do bote ao tentar abraçar o reflexo da Lua, e se afogou.

Se os elixires funcionaram? Claro! Li Bai vive. E é ótima companhia em noites de solidão, embriaguês ou melancolia. Em especial naquelas em que tento abraçar a Lua.

Li Bai, poeta da Lua e do álcool

Para conhecer:
Li Bai drinking alone (with the moon, his shadow, & 42 translators)

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